
Fotografia: Eduardo Queiroga
Texto: P.H. Nuñez
Foi realizado no dia 13 de maio de 2009, na Galeria Arte Plural, o debate sobre a Exposição “Sobreposições” do fotógrafo Eduardo Queiroga. O evento teve a presença de figuras ilustres, como Walter Firmo, Georgia Quintas, Alexandre Belém, além da Simonetta Persichetti como mediadora do debate, o próprio Eduardo e o arquiteto Juliano Dubeux.
O debate começou atrasado, às 19h30min, por causa do Juliano, mas após seus pedidos de desculpas, Simonetta retomou fazendo uma breve reflexão sobre suas impressões das fotografias. Logo depois foi passada a palavra à Eduardo, para uma explicação mais detalhada das dez fotografias expostas.
Ele expôs que inicialmente a Exposição não tinha nome o “Sobreposições”, o título veio após selecionar as fotos e fazer uma reflexão sobre o significado simbólico das imagens. E claro, o trabalho não se resume a apenas dez fotografias. Pelo fato de serem imagens que retratam a degradação do patrimônio histórico do bairro do Recife Antigo, “a idéia não é ter um caráter denunciativo”, afirma, mas é que existe uma dialética entre você olhar além das pichações e grafites feitas nas fachadas dos edifícios e ver que tudo aquilo, que hoje está assim mas que, um dia, no passado, foi diferente. O fato curioso é perceber que ainda existem indícios de como esses prédios eram nas fotografias.
A minha percepção da exposição é que a idéia de “Sobreposições” é uma excelente metáfora usada para ilustrar as imagens, que mostram as ‘camadas’ que se instalaram durante os anos no bairro do Recife e que por vezes não percebemos. Esse ‘movimento’ de ‘não reconhecimento’ ou ‘não percepção’ do envelhecimento/degradação da cidade também foi discutido.
Em certo momento, Simonetta disse: “Essa é a magia da fotografia, atingir tantas esferas que nem imaginamos”. E de certo modo é curioso, pois essa é a explicação mais coerente para um arquiteto estar nesse debate. “Eu não entendo muito de fotografia, com certeza no assunto relacionado à arquitetura me sinto mais confortável pra discutir, mas o que vejo nessas imagens é o retrato moderno de uma arquitetura que ainda não havia sido retratada”, palavras do Juliano.
Fico imaginando que realmente tinha que haver a presença de um arquiteto nesse debate, mesmo sem tanta carga no viés à fotografia. Mas também há de ser dito que em certos momentos foi comentado mais de arquitetura que fotografia. “Isso tudo pra mim é maravilhoso, poder ouvir o que as minhas fotos despertam nas pessoas”, afirma Eduardo. Porém, talvez tenha faltado uma participação mais ativa da mediadora direcionando, e até dosando os assuntos – diferentemente da ‘fama’ que tem, Simonetta não falou muito como de costume, risos.